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Um profissional de saúde percebe que algo não vai bem com um paciente. Ele acredita que uma mudança na conduta do responsável poderia ser mais eficaz, mas não expressa as suas preocupações. O paciente piora, e ele se culpa. Faltou competência, ou coragem para falar?

Foi com essa provocação fictícia que Alexander Messager iniciou a palestra magna do Simpósio de Cultura de Segurança na Saúde- ciência, inovação e desenvolvimento de ambientes confiáveis do SUS, realizado pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Destaque na revista Forbes por seu trabalho com segurança psicológica em equipes de saúde, ele acredita que a resposta para a pergunta acima é não. “Faltou segurança psicológica”, afirmou.  “As pessoas só vão falar se se sentirem confortáveis". 

Messager lembrou que o cérebro humano age para proteger as pessoas do desconforto. Por isso, o oposto da cultura de segurança costuma ser o silêncio das equipes, que deve ser encarado como um problema sistêmico que traz muitos prejuízos. “O silêncio atrasa decisões, repete erros, coloca o paciente em risco. Ele não é neutro, é muito perigoso”, enfatizou.

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Alexander Messager durante a palestra magna

O Simpósio também contou com a presença de Colin West, diretor do Programa de Bem-Estar do médico da Mayo Clinic, organização americana sem fins lucrativos e um dos centros médicos acadêmicos mais prestigiados do mundo. Segundo West, 85% das razões para o fracasso estão relacionadas a problemas nos sistemas e processos, em contraponto a 15% de erros individuais. “Temos que consertar o ambiente de trabalho, mais do que as pessoas. Os índices de burnout mostram que algo está errado no sistema”, pontuou. Ele citou a redução da carga, a sensação de comunidade e o reconhecimento do trabalho como atitudes sistêmicas que devem ser adotadas. 

A experiência do paciente também foi debatida. A especialista Kelly Rodrigues, autora de um dos poucos livros nacionais sobre o tema, lembrou a transformação do perfil dos pacientes pelo uso das redes sociais, e questionou até que ponto os médicos compartilham as decisões. “Os pacientes e seus familiares devem ser protagonistas”, disse.

Na abertura, o diretor-presidente Brasil Silva Neto destacou que o evento deixou de ser setorial para ser uma iniciativa da direção do hospital, o que traduz a vontade da instituição de seguir se aprimorando e se qualificando. “O evento ratifica o compromisso de priorizar elementos de qualidade e segurança na assistência e na gestão do hospital como um todo” afirmou. “Segurança na instituição é questão estratégica. Sempre há espaço para melhorar e discutir internamente as nossas questões, que são múltiplas, e sempre há espaço para receber pessoas e experiências externas. É extremamente enriquecedor fazer essa troca”, completou.

A cobertura fotográfica do evento está neste link.

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Mesa de abertura do Simpósio, que aconteceu no Anfiteatro Carlos César de Albuquerque. Fotos: Clóvis Prates/HCPA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Clovis Prates/HCPA