Líder defende integração entre espiritualidade e Medicina para o bem estar dos pacientes
Uma saudação a Oxossi foi um dos primeiros gestos do Babalorixá Baba Diba de Iyemonja ao iniciar sua fala. Esta terça-feira, 20 de janeiro, marca o dia deste orixá para os devotos de religiões de matriz africana. Para os católicos, é dia de São Sebastião. O líder e estudioso foi convidado pelo Núcleo de Estudos Interdisciplinares de Saúde e Espiritualidade (Neise) e pelo Comitê de Diversidade, Equidade e Inclusão do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), para falar sobre o combate à intolerância religiosa e as religiões de matriz africana.
E foi falando de similaridades e diferenças com outros credos que o líder religioso reforçou o pedido por respeito e tolerância. Mesmo afirmando que muitos ainda escondem suas fé por medo de preconceito, ele lembrou que o Rio Grande do Sul é o estado com o maior número de terreiros do país. “Todos estão entendendo que somos seres espirituais. Somos 70% espirituais”, completou.
Baba Diba saudou a prática do HCPA, de permitir a entrada de líderes religiosos para visitar pacientes. Contou que já foi barrado em presídios, crematórios e até em hospitais. Por outro lado, afirmou que um terreiro é um espaço de cuidado, inclusive com a saúde. “Nós cuidamos de doenças físicas em conjunto com a Medicina tradicional. Não retiramos medicamentos, nem criticamos. A gente cuida da pessoa. Faz os banhos, os ebós (oferendas), e isso ajuda”, disse.
Coordenador da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro), Baba Diba afirmou que uma das lutas da Rede é para que as religiões sejam reconhecidas como parte do cuidado em saúde, “e não como feitiço”. Ele lembrou que a Política Nacional Integral da População Negra reconhece as práticas terapêuticas de terreiro enquanto prática de cuidados e reconhece o racismo como um determinante social que traz consequências negativas para a saúde da população negra. “O racismo adoece, mata e leva ao suicídio”, alertou.

Babalorixá durante a palestra. Foto: Angélica Coronel/HCPA


















