A substância semaglutida - utilizada em medicações para controle da obesidade e diabetes, como Ozempic, Wegovy e Rybelsus - não provoca retinopatia diabética, doença grave que causa visão embaçada e pode evoluir para cegueira. A conclusão consta em estudo do professor do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Fernando Gerchman. O artigo foi publicado na JAMA Ophthalmology, na última quarta-feira, 13.
A análise revisou 78 estudos, que comparavam o uso de semaglutida (na forma oral ou subcutânea) com placebos em 73.640 participantes adultos, portadores de diabetes tipo 2 e obesidade. “A análise permite afirmar que o medicamento é seguro. Ainda assim, é preciso reforçar que ele deve ser usado apenas por quem tem indicação para tratar a obesidade e diabetes, e não para fins apenas estéticos”, afirma Gerchmann.
No entanto, a pesquisa detectou uma relação entre o uso da semaglutida e casos de neuropatia óptica isquêmica anterior (NOIA), uma espécie de derrame que causa uma lesão no olho e também é considerada grave. Em cinco dos estudos analisados, foram registrados nove casos - um que utilizou placebo e oito com semaglutida. Pesquisas anteriores, em pessoas com diabetes e obesidade, já apontavam para essa possibilidade. “Apesar de identificarmos esse risco, ele é baixo, e devido ao número pequeno de casos identificados, será importante replicar esses achados e confirmar a hipótese com novos estudos. É importante conscientizar os médicos e os pacientes em relação a essa questão, a fim de identificar casos em potencial e podermos estabelecer um tratamento”, avalia o professor.
O estudo faz parte da tese de doutorado da endocrinologista Gabriella Richter da Natividade junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Endocrinologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O artigo completo está neste link.