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“As mulheres que estão sofrendo violência estão num labirinto e têm fome de caminhos. É nosso dever enquanto sociedade, enquanto estado, enquanto cidadãos, enquanto família, trilhar e abrir caminhos para essas mulheres sem julgá-las”. Com essa fala, a promotora de justiça Ivana Battaglin encerrou a palestra “Conversando sobre direitos humanos e relações de gênero: o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas” nesta quinta-feira (7). A atividade faz parte da programação do Mês da Mulher no HCPA organizada pelo Comitê de Diversidade, Equidade e Inclusão, que foi representado na atividade pela enfermeira Telma da Silva Machado, do Serviço de Enfermagem em Emergência, que atuou como facilitadora do evento.

Ivana também é coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher do Ministério Público do RS e trouxe estatísticas impactantes. Você sabia que uma em cada três mulheres sofre algum tipo de violência doméstica ao longo de sua vida? De acordo com o 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2022, foram registrados 1.437 feminicídios no Brasil. Isso significa dizer que quatro mulheres morrem todos os dias vítimas de feminicídio. 

Além disso, o país está em quinto lugar no ranking mundial da violência contra a mulher, segundo a Agenda 2050 de Desenvolvimento Sustentável. A violência de gênero caracteriza-se quando o motivo da violência tem a ver com os padrões e expectativas de masculinidade ou feminilidade. “É a soma da prepotência do masculino com a subalternidade do feminino”, apresentou a palestrante.

Em relação à violência sexual, Ivana destacou o fato de que sete em cada dez estupros ocorrem em casa, sendo que 61,4% deles com menores de 13 anos. A cada minuto, dois estupros são cometidos contra meninas e mulheres no Brasil, conforme dados de 2023 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “A erradicação da violência contra a mulher passa pela igualdade de gênero”, frisou a promotora, que trouxe à reflexão aspectos culturais que influenciam as atitudes de homens e mulheres e colaboram para a manutenção da desigualdade de gênero e da violência. Ela ressaltou que a mudança dessa realidade no futuro vai depender de ações que serão realizadas hoje. 

A palestra foi transmitida ao vivo pelo canal do HCPA no Youtube e pode ser conferida aqui. Para ter acesso aos dados e vídeos apresentados por Ivana, acesse este link