Documento liderado por pesquisador do Clínicas ainda traz novo cálculo para conferir obesidade
Pela primeira vez, médicos brasileiros possuem um manual sobre o uso das canetas emagrecedoras e de outros medicamentos para o tratamento da obesidade. A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade inclui orientações sobre quando começar o tratamento, por quanto tempo usar, como escolher e combinar medicações e, até mesmo, quando podem ser indicadas medicações off label (quando é usado um medicamento que não foi criado para aquele fim). O professor do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA-UFRGS) Fernando Gerchman foi o organizador do documento, construído com base na revisão bibliográfica das mais importantes publicações sobre obesidade. “É o manual mais importante sobre o tratamento da obesidade que temos no país”, afirma. O documento também orienta como tratar a obesidade se o paciente possui doença renal, hepática ou câncer, entre outros. A edição anterior, organizada pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), havia sido lançada em 2016.
Uso das canetas
A Diretriz reconhece a eficácia das chamadas canetas emagrecedoras - substâncias como semaglutida e tirzepatida, que são medicações de alta potência- como as mais indicadas para o tratamento da obesidade. O documento indica qual deve ser usada, de acordo com as complicações que o paciente apresenta (apneia do sono ou artrite, por exemplo).
Porém, o manual leva em consideração o alto custo e a ausência destes medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). E avalia que são necessários estudos adicionais sobre o custo-benefício da adoção desses medicamentos em larga escala, pois ainda não há consenso na comunidade médica. Por fim, recomenda quais substâncias de baixa e média potência podem ser utilizadas para substituir as canetas emagrecedoras.
Nova forma de conferir a obesidade
O Índice de Massa Corporal (IMC), calculado com a divisão do entre peso (em quilos) pela altura ao quadrado (em metros), sempre foi usado como métrica para determinar a obesidade. A Diretriz apresenta um cálculo mais simples: a divisão entre o tamanho da cintura pela altura, em centímetros (RCA). O índice é considerado elevado quando maior que 0,5. Neste caso, se há complicações relacionadas, o tratamento farmacológico já pode ser indicado, independentemente do IMC.
Outras recomendações
- O tratamento farmacológico deve ser iniciado precocemente, pois a obesidade e suas comorbidades tendem a progredir ao longo do tempo;
- Uma meta de perda de peso de 10% é factível para a maioria dos indivíduos e pode facilitar a adesão dos pacientes;
- Perdas menores ou maiores peso podem ser indicados de maneira personalizada;
- Não se recomenda o uso de produtos manipulados ou fórmulas magistrais para o tratamento da obesidade.
A professora do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do HCPA Luciana Verçosa Viana, e as pesquisadoras HCPA/UFRGS Gabriella Natividade e Paula Teixeira também são autoras do documento. O documento pode ser visualizado neste link.


















