Pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul lideram artigo publicado na revista Nature Reviews Neurology, uma das mais prestigiadas da área. O trabalho analisa as disparidades estruturais na produção científica sobre a doença de Parkinson, especialmente em países de baixa e média renda. Atualmente, 44% das pessoas com Parkinson vivem nesses países, e a tendência é de crescimento acelerado nas próximas décadas. Até 2050, o Brasil deverá mais do que dobrar o número de casos, podendo chegar a mais de um milhão de pessoas.
O artigo aponta que populações de países de baixa e média renda, assim como grupos étnicos e minorias em países de alta renda, seguem sub-representados em estudos epidemiológicos, genéticos, ensaios clínicos e pesquisas com biomarcadores. Essa exclusão compromete a validade científica e amplia desigualdades no acesso a diagnóstico e tratamento.
Os autores defendem uma agenda ética e estruturante que inclui a ampliação do financiamento e fortalecimento da capacidade local de pesquisa; métodos harmonizados e adaptados aos contextos regionais; engajamento comunitário culturalmente competente e redes colaborativas internacionais.
Para o professor Artur Schuh, a publicação reforça a importância de integrar ciência de excelência com compromisso social. O protagonismo do Clínicas em uma discussão estratégica dessa magnitude evidencia o papel do hospital universitário como polo de produção científica com impacto global.
O artigo Bridging global diversity gaps in Parkinson disease research tem autoria de Daniel Teixeira-dos-Santos, Ai-Huey Tan , Njideka Okubadejo, Lorraine V. Kalia e Artur F. S. Schuh.

Foto: Divulgação/HCPA


















