Evento promovido nesta terça-feira (10) marcou a adesão do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) à iniciativa do Instituto Banco Vermelho que visa alertar, conscientizar e promover ações contra o feminicídio. Como símbolo desse apoio, três bancos vermelhos estão sendo instalados em áreas de grande circulação do hospital como incentivo à reflexão e à ação, trazendo adesivado os contatos da Central de Atendimento à Mulher (180), que é o canal para denúncias e informações, e da Brigada Militar (190) para casos urgentes.
Na abertura do evento, o diretor-presidente do HCPA, Brasil Silva Neto, disse que um hospital com a configuração do Clínicas precisa se posicionar contra a violência à mulher e reforçar os esforços e os movimentos da sociedade de promover o combate a esse tipo de agressão. “Sendo um local de ensino, a missão maior nossa também é de educação. Precisamos pensar nas próximas gerações para que não cresçam numa cultura de agressão, preconceituosa, numa cultura que entenda que é aceitável que qualquer mulher ou menina possa ser agredida. Temos essa missão para além de cuidar das mulheres dentro de um contexto de saúde pública e de assistência à saúde”, ressaltou.
Realizada no anfiteatro da instituição, a atividade contou com a palestra “Violência doméstica: nunca é sobre o amor”, com o juiz titular do Juizado de Violência Doméstica de Santa Maria, Rafael Pagnon Cunha, que atua na defesa de mulheres vítimas de violência e na formação de Grupos Reflexivos Masculinos. Ele falou sobre as situações que acompanha na sua rotina de trabalho, sobre como ajudar às vítimas e como as instituições de saúde podem ser a primeira porta de acesso à ajuda.
Cunha frisou o quanto a violência doméstica é democrática, que está em todos os lugares da sociedade, classes sociais e profissões como resultado da cultura de que o homem é dono da mulher. “A violência doméstica se inicia muito antes do que a gente foi ensinado a reconhecer como violência”, afirmou, destacando que se deve ter atenção ao comportamento que começa com ciúme e escala gradualmente para a vigilância, a restrição de liberdade e a intimidação. E reforçou: “é com educação, mobilização social, investimento do estado e formação de rede própria de apoio ao magistrado que a gente vai acelerar a mudança que estamos buscando”. Após a sua fala, ele foi convidado a sentar no banco vermelho e a responder perguntas da plateia e de quem assistia à transmissão, que está disponível no canal do HCPA no Youtube (acesse aqui). A intermediação foi da diretora de Ensino, Luciana Cadore Stefani.
HCPA na luta contra a violência - O Clínicas possui profissionais capacitados para atendimento à violência contra a mulher. O Serviço Social atua na orientação sobre direitos, na escuta qualificada e no acolhimento da mulher em situação de violência. Também são realizados encaminhamentos e articulações com os serviços de saúde, assistência social, segurança pública e justiça, incluindo equipamentos especializados de atendimento à mulher em situação de violência, quando necessário.
No Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, existe o Programa de Atenção à Pessoa Vítima de Violência Sexual. Protocolos de atendimento são acionados quando há suspeita ou é expressa a situação de violência sexual. O hospital é signatário do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça do governo federal e conta com o Comitê de Diversidade, Equidade e Inclusão, que desenvolve ações como palestras, rodas de conversa e diálogo com a comunidade interna.


















