Uma experiência única foi vivenciada pelo público interno do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) nesta quinta-feira (27). A instituição recebeu a artista plástica austríaca Monika Kus-Picco para a produção de duas obras ao vivo. Ela é reconhecida por utilizar o pigmento de medicamentos descartados para compor as suas telas, técnica encontrada para expressar o sofrimento e a dor vivenciados no processo de adoecimento da sua mãe, diagnosticada precocemente com a doença de Alzheimer. Monika busca ainda estimular a reflexão sobre o efeito das medicações no corpo.
No Clínicas, Monika utilizou azul de metileno, vitaminas, suplementos alimentares e antibiótico para produzir as telas, que foram doadas à instituição. A artista tem seu trabalho exposto em museus internacionais, como o Albertina (Áustria), o Osthaus Museum Hagen e a Galeria da Academia de Arte de Düsseldorf, ambos na Alemanha. Em 2026, o Museu de Arte Contemporânea de São Paulo projeta organizar uma grande exposição de sua obra.
O diretor-presidente do HCPA, Brasil Silva Neto, agradeceu a disponibilidade da artista em vir à instituição mostrar o seu trabalho. “A gente tem promovido ações culturais para ter um momento de quebra da rotina, mas também despertar a sensibilidade das pessoas em outras formas, como a arte”, afirmou. As professoras da UFRGS Kathrin Rosenfield e Márcia Santana Fernandes intermediaram a conversa da artista com o público, que falou sobre o seu processo criativo. Segundo a tradução de Kathrin, a artista contou que o trabalho corporal de se abaixar, distribuir os elementos, de dirigir esse fluxo, conecta-a com o próprio corpo, o próprio sofrimento, e dá essa expressão que fica sobre a tela.


















