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Em 8 de julho, é celebrado o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico. Para marcar a data, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) promoveu um seminário com o tema "Biobancos e Ciência Translacional: Construindo Redes Colaborativas para a Pesquisa em Saúde", para destacar o quanto a instituição contribui com a ciência por meio do seu Biobanco institucional. Aprovada em 2017 pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), a estrutura armazena amostras biológicas e genéticas de mais de 7.700 participantes, estando disponíveis para projetos de pesquisa institucionais, interinstitucionais e internacionais. 

“O que há de mais colaborativo que um biobanco? Que reúne uma coleção de material biológico e informações associadas e que coleta não para um projeto de pesquisa específico, mas para uma disponibilização mútua”, destacou a diretora de Pesquisa do HCPA, Ursula Matte, na abertura do evento, que contou com pesquisadoras responsáveis por propor as seguintes coleções: Mutographs (Patrícia Ashton-Prolla),  Onco-hematologia Pediátrica (Mariana Michalowski), Transtornos Mentais (Carmem Gottfried) e Neonatos e Mães (Rita Silveira). 

A condução da atividade ficou a cargo da coordenadora do Biobanco, Fernanda Sales Luiz Vianna, que destacou o quanto a estrutura é um ambiente seguro, de alta privacidade e confidencialidade para servir à pesquisa. “O biobanco é parceria. É participar de iniciativas para responder às perguntas da sociedade”, frisou. 

Estudos do câncer

Responsável pela proposta de uma das coleções estruturantes do Biobanco, que reúne amostras de quatro tipos de câncer para avaliar o impacto de agentes ambientais, Patrícia defendeu que estar inserido em um grande projeto internacional, como o Mutographs, abre as portas para mais colaboração e para contribuir com pesquisas na área. “É muito estratégico para uma instituição que faz pesquisa ter um biobanco”, enfatizou.

A importância dos biobancos no tratamento de patologias de baixa incidência foi o foco da professora Mariana Michalowski, que propôs a coleção de Onco-hematologia voltada a tumores pediátricos — que representam 3% de todos os cânceres. “Os biobancos são essenciais para conseguir desenvolver pesquisas robustas com correlação entre biologia e clínica”, defendeu Mariana. 

Ela explicou que, ao associar os dados clínicos ao banco de informações associadas às amostras, é possível traçar prognósticos e entender como cada paciente responde individualmente ao tratamento. “Hoje não se pensa só na doença, mas na doença daquele paciente específico. Só assim conseguimos atingir qualidade de pesquisa e, futuramente, assistencial.”

Assinaturas biológicas no autismo adulto

A busca por biomarcadores e diagnósticos mais precisos pautou a fala da professora Carmem Gottfried, responsável pela proposição da coleção de transtornos mentais, com foco no Transtorno do Espectro Autista (TEA). A coleção, focada inicialmente na população de autismo adulto, visa identificar assinaturas biológicas relacionadas ao transtorno.

Segundo Carmem, o biobanco garante a reprodutibilidade necessária para pesquisas em grande escala. Com o avanço tecnológico, as amostras padronizadas permitirão estudos de expressão gênica que podem acelerar diagnósticos. “Pessoas que sofreram a vida toda sem saber o que tinham vivem melhor ao obter o diagnóstico. Tendo a amostra biológica, podemos rapidamente chegar a uma assertividade maior quando um novo recurso tecnológico surge”, pontuou.

Medicina de precisão desde o nascimento

Encerrando as apresentações das coleções, a professora Rita Silveira comentou sobre a recém-criada coleção de binômios bebê-mãe. Movida pela inquietação sobre o porquê de bebês prematuros de mesma idade gestacional apresentarem desfechos e doenças, a pesquisadora ressaltou a possibilidade de integrar dados clínicos e biológicos obtidos logo ao nascimento.

O objetivo do grupo é construir modelos preditivos inéditos para identificar precocemente os bebês de maior risco. “Queremos construir modelos preditivos para identificar bebês que precisam de assistência diferenciada. É a medicina de precisão e personalizada desde o nascimento, considerando o perfil biológico de cada paciente”, detalhou Rita.

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