Início do Conteúdo

A chegada de um avião em Porto Alegre com passageiros infectados por uma doença respiratória desconhecida é uma ficção, mas uma situação possível de acontecer. Como prestar o atendimento necessário às vítimas sem colocar em risco outros passageiros e a tripulação? E se a doença for altamente contagiosa, como prevenir a população de um surto? 

Respostas a questões como essas foram testadas em um exercício simulado realizado neste sábado (13) como forma de verificar a capacidade de atendimento integrado entre diferentes instituições, como Polícia Federal, Samu, EPTC e Vigilância Sanitária. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) foi o escolhido para receber as pessoas que necessitavam de atendimento, demonstrando o protagonismo da instituição na assistência de alta complexidade e reforçando seu papel como instituição de ensino. 

Ainda no aeroporto, profissionais do hospital realizaram os primeiros atendimentos e, com a ajuda de equipamentos portáteis de ultrassonografia, puderem fazer uma avaliação mais precisa dos passageiros. Cinco pacientes em estado grave foram transportados de ambulância e chegaram ao mesmo tempo à Emergência do HCPA, onde equipes estavam aguardando para recebê-los. A área já havia sido isolada, com a transferência de dois pacientes reais para outros locais da instituição, preservando a assistência de quem estava internado. Em nenhum momento a operação do hospital foi interrompida. 

Após a chegada dos primeiros pacientes, outras 17 pessoas em estado menos grave foram recebidas para avaliação. “Para o Clínicas, é a oportunidade de testar a integração do hospital com a rede e a nossa capacidade de organização e resiliência perante uma situação de emergência em saúde pública”, disse Brasil Silva Neto, diretor-presidente do HCPA. Ele destacou que, como em tantas outras situações reais, o Clínicas está sempre de prontidão para atender à população 

As 22 vítimas atendidas são estudantes de Medicina e de Enfermagem da UFRGS, que se voluntariaram para integrar o simulado. Claudia Vasques, do terceiro semestre de Medicina, foi escolhida para ser uma paciente de 58 anos, com doenças respiratórias prévias, é que apresentava o quadro mais grave, necessitando de entubação. “Esta foi uma oportunidade incrível não só de prestar um benefício à UFRGS e ao Clínicas, mas também um benefício à sociedade, porque é uma preparação caso um dia a gente realmente tenha que fazer isso”, afirmou. 

A iniciativa, organizada pelo Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa), a Fraport Brasil e o Clínicas, teve como objetivo testar protocolos, fortalecer a integração entre equipes e aprimorar a capacidade de resposta diante de situações complexas que exigem atuação rápida, coordenada e segura. A atuação do Clínicas foi fundamental nesse exercício, reforçando o compromisso permanente do HCPA com a qualificação da assistência e a preparação de suas equipes.