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Na abertura da programação do Mês da Consciência Antirracista do HCPA, foi promovida nesta quarta-feira (4) a mesa-redonda Intolerância racial não é opinião: é crime. O delegado da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância de Porto Alegre, Vinicius Nahan dos Santos, falou tanto sobre o trabalho de repressão quanto de prevenção realizado pela Polícia Civil, a exemplo de palestras como essa. Ele fez um resgate sobre o avanço na legislação sobre o racismo, que é um crime inafiançável e imprescritível. Ou seja, pode ser denunciado a qualquer tempo, e não apenas no momento do ocorrido.  

Nahan trouxe o seguinte questionamento na sua fala: “o fim do racismo é possível? Como todo fenômeno histórico que teve um início, pode ter um fim”, e defendeu a sua afirmação destacando a importância de combater atos de discriminação com base na legislação vigente. Desde a criação da delegacia especializada na apuração desses crimes, em 2020, o registro de ocorrências vem aumentando ano a ano no Estado, passando de 172 em 2021 para 834 em 2025.  

A mestranda em Ciências Criminais Marjane Janaína Marques da Cunha falou sobre o racismo institucional e como ele se manifesta no atendimento à população negra. Ela exemplificou apresentando dados de desigualdade de tratamento em gestantes negras e pardas, de diagnóstico tardio de câncer de pele e do desrespeito à espiritualidade de pacientes, especialmente em religiões de matriz africana. Ressaltou que, apesar de haver uma lei que garanta a assistência religiosa em hospitais, nem sempre ela é colocada em prática. “É preciso olhar para as práticas institucionais e tornar o cuidado mais respeitoso com a garantia de direitos”, ressaltou. 

A atividade foi organizada pelo Programa de Ações Antirracistas e mediada pela sua coordenadora, Cláudia Santos, que frisou a importância de estarmos sempre vigilantes para perceber atos de racismo. “O posicionamento antirracista tem que ser todos os dias, em todos os horários e em todos os locais de trabalho”, disse.