Um dispositivo pequeno inserido através de uma veia do braço, cuja ponta chega até o coração, é a nova proposta para pacientes que precisam receber medicações intravenosas por longos períodos, como, por exemplo, a quimioterapia. Chamado de PICC-Port, a tecnologia já é uma opção na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda não é utilizada no Brasil. Os primeiros implantes experimentais foram realizados no Clínicas no dia 24 de outubro em três pacientes com câncer de mama em tratamento na instituição. Os dispositivos foram recebidos em doação.
Os procedimentos ocorreram com a orientação do médico italiano Sergio Bertoglio, responsável pelo Serviço de Acesso Vascular do Instituto Nacional do Câncer, em Gênova, na Itália. Ele foi um dos palestrantes do Congresso Sul-Brasileiro de Acessos Vasculares e Terapia Infusional, ocorrido de 21 a 23 de outubro no Clínicas.
O PICC-Port une as características do cateter PICC (do inglês - cateter central de inserção periférica) tradicional com o reservatório (Port) de um cateter implantado no braço. Após anestesia local, é realizado o procedimento em nível ambulatorial, com duração aproximada de uma hora. Após a colocação, o dispositivo já pode ser usado imediatamente para administrar as medicações.
Segundo Bertoglio, o PICC-Port tem a vantagem de ser menos agressivo, menos visível, com uma cicatriz pequena (1,5 a 2 cm) na parte interna do braço, e não no peito. “Em comparação ao PICC, a vantagem é não ter a exposição do cateter ou outro conector externo; todo o cateter fica embaixo da pele. Além disso, esse cateter contribui para melhorar a qualidade de vida, principalmente por favorecer as atividades da vida diária”, destacou. O menor risco de infecção também é um dos benefícios. Roselaine Barbosa Brasil, 48 anos, é paciente do Clínicas há 11 anos e foi uma das selecionadas para receber o PICC-Port. Ela conta que já fez nove tipos diferentes de quimioterapia, sempre com a punção de veias periféricas.
A próxima etapa é acompanhar essas pacientes e comprovar os benefícios da utilização da nova tecnologia. A diretora de Enfermagem do HCPA, Eneida Rejane Rabelo da Silva, acrescenta: “precisamos comprovar por meio de pesquisa, que é um dos pilares do hospital, a efetividade deste dispositivo em termos de resultados clínicos para o paciente, em termos de conforto, de experiência e de custos”. A partir disso, os resultados podem ser compartilhados com outras instituições do país.
Participaram dos procedimentos de capacitação os enfermeiros Rodrigo Ceratti, Leandro Hansel e Marina Junges e os médicos Diego Mossmann e Eliziane Takamato, todos integrantes do Programa de Acesso Vascular do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.