Melhores temas livres
PESQUISA RETORNANDO EM BENEFÍCIOS PARA A SOCIEDADE
IMPORTÂNCIA DA SEMANA CIENTÍFICA

​​​​a pesquisa na residência

Fazer uma residência, para muitos profissionais, significa conciliar estudos, trabalho e plantões no hospital, além de uma carga horária alta que demanda, muitas vezes, dedicação exclusiva. Em meio a esse contexto, como exigir que o residente se dedique também à pesquisa? Esse foi um dos questionamentos trazidos durante a 37ª Semana Científica do HCPA. “A literatura mostra que os estudantes de Medicina que fizeram pesquisa durante a graduação têm mais chance de seguirem fazendo pesquisa na residência, mas não podemos colocar a pesquisa como algo obrigatório na Residência Médica. O nível de burnout já é altíssimo e a carga horária é muito exigida. Além disso, nem todos querem seguir na pesquisa e isso não quer dizer que esses residentes não têm um pensamento e análise críticos”, disse a coordenadora da Comissão de Residência Médica do HCPA (Coreme), Helena von Eye Corleta.

 

Na Residência Integrada Multiprofissional em Saúde (Rims), no entanto, os alunos têm um turno dedicado especialmente à pesquisa, segundo a professora da Rims, Valesca Dall’Alba. “Um dos pilares da formação, a pesquisa promove melhora na qualidade do atendimento, mudanças na rotina, sistematização de processos, transforma as práticas profissionais e traz várias outras vantagens para a assistência.”

 

Além das residências, o mestrado acadêmico, o mestrado profissional e o doutorado acadêmico são possíveis caminhos que os estudantes da área da saúde podem seguir. Eles foram apresentados pela coordenadora do Mestrado Profissional em Pesquisa Clínica do HCPA, professora Leila Beltrami Moreira. “O mestrado profissional foi criado como uma forma de devolver produtos de aplicação mais imediata para a sociedade e é uma alternativa mais recente para aqueles que querem seguir na pesquisa”, explicou a coordenadora.

 

 

Integridade e compliance na pesquisa

 

A conduta ética em pesquisa foi o tema abordado nesta quinta-feira (14/9), na 37ª Semana Científica do HCPA. Focando em compliance e integridade, a professora da PUCRS Bartira Ercilia da Costa mostrou os caminhos para uma postura científica adequada. “Plágio, falsificação, fabricação e duplicação são muito comuns na academia e alguns fatores podem levar a essas más condutas, como a alta pressão para publicar, o baixo controle social, poucas políticas para combater as más condutas, entre outros.”

 

Em pesquisa utilizando os termos scientific misconduct e scientific integrity, Bartila encontrou 5.290 e 696 artigos, respectivamente, o que, nas palavras dela, demonstra que “pouca gente está se debruçando sobre o que a gente deseja”. Para a professora, é essencial que as más posturas científicas sejam combatidas ainda na base. “O aluno precisa saber que isso existe e é feio. Atuando na base, evitamos retratações depois que o trabalho já está na revista.”

 

 

Mulheres na pesquisa

 

Apesar de termos a impressão de que as mulheres ocupam cada vez mais cargos de liderança e em pesquisa, não é isso que os números mostram, de acordo com Regina Carla Madalozzo, professora do Insper. O tema “mulheres na pesquisa e na ciência” também foi um dos assuntos abordados na 37ª Semana Científica do HCPA. De acordo com Regina, no mundo inteiro as mulheres passam por dificuldades. São subestimadas, estereotipadas, ocupam menos cargos de liderança (mesmo possuindo mais estudo), recebem salários mais baixos e menos bolsas de pesquisa. “A gente se culpa muito, acha que não tem capacidade, mas depois que começa​mos​ a perceber que o mundo é injusto e que mulheres no mundo inteiro passam por situações parecidas, mudamos nossa forma de ver as coisas.” Segundo Regina, pesquisas mostram que a diversidade, tanto de sexo, quanto de raça, aumenta a lucratividade das empresas. “São jeitos diferentes de agir, que podem agregar muito nas instituições.”

 

Professora de Física na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Márcia Barbosa sabe bem o que é ser mulher em uma área predominantemente masculina. Assim como Regina, Márcia mostrou, por meio de dados estatísticos, que a quantidade de mulheres vai caindo, em todas as áreas,​ conforme se avança na carreira.

 

Na pesquisa, conforme a professora, o que acontece é o efeito tesoura: quanto mais avançado o nível, menor o número de mulheres e maior o de homens. “Nas seleções, toda vez que alguém julga, as mulheres são cortadas. E nesse contexto em que estamos, de restrição de recursos, a competição aumenta e quando a competição aumenta, as mulheres perdem. E não por incapacidade, mas por injustiça”, explicou Márcia. A professora mostrou ainda que, entre as 500 maiores empresas, foi constatado que mais diversidade gera mais faturamento. “E o que fazer para mudarmos e gerarmos mais diversidade? Precisamos trabalhar juntos e juntas já!”, finalizou.

 

 

Pesquisa em Enfermagem

 

“Resiliência é nosso nome do meio”: assim iniciou a fala de Emiko Yoshikawa Egry, professora de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), na 37ª Semana Científica. Afirmando que a crise não está presente apenas na especialidade, mas em todos os campos do conhecimento e em todas as esferas do país, a professora trouxe o realismo esperançoso de Ariano Suassuna como uma alternativa ao atual contexto do país, cada vez mais desafiador para os pesquisadores. “A gente faz muito, mesmo com pouco recurso. Se para Ariano Suassuna o otimista é um tolo, o pessimista é um chato e bom mesmo é ser um realista esperançoso, eu diria que a resiliência pode se alimentar desse realismo esperançoso. Essa é uma crise para tomarmos posição, defendermos a pesquisa e a Enfermagem.”

 

 

Contexto atual muda a

relação com o paciente

Acabou-se o tempo em que os pacientes não tinham acesso a conhecimentos ligados à área médica. Com o surgimento das tecnologias, cada vez mais aqueles que buscam um tratamento em uma instituição de saúde se informam sobre o assunto. Esse aspecto foi abordado como crucial na mudança da relação profissional-paciente, pelo gerente médico do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, Marcelo Alvarenga, que palestrou na segunda-feira (11/9), durante a 37ª Semana Científica do HCPA. Segundo ele, devemos considerar o paciente como um consumidor de informação. “O que o paciente espera do profissional não é mais que diga ou imponha o que fazer e sim que o ajude a tomar as decisões”, destacou.

 

Com a provocação “O que os pacientes esperam do seu tratamento e dos profissionais?”, Alvarenga propôs ao público refletir sobre suas práticas no ambiente hospitalar. De acordo com ele, pesquisas de satisfação recentes mostram que os pacientes buscam oito aspectos: qualidade; segurança; relacionamento; comunicação empática; informação; educação; decisão compartilhada e transparência. Conforme Marcelo, esses quesitos estão todos interligados e sua união gera a experiência do paciente. “Se houver uma falha na cadeia do tratamento, a experiência toda pode ser negativa, pois as experiências são a soma de todas as percepções”, explicou. Além disso, ele também apresentou a ferramenta criada pelo Hospital Sírio-Libanês para medir a satisfação dos pacientes, o “Experiência Sírio Libanês”.

 

Para finalizar, ele reforçou que todos dentro da instituição são responsáveis pela experiência dos pacientes e afirmou: “cuidar do paciente é uma melhoria contínua e só temos uma certeza: a de ser sempre melhor do que ontem”.

 

Inovação em saúde

 

“Os grandes feitos da humanidade estão associados às descobertas científicas. O conhecimento científico é nossa maior herança”: com essa fala, Álvaro Toubes Prata, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), colocou a inovação em saúde no centro do debate de hoje (12/9), durante a 37ª Semana Científica do HCPA. De acordo com Prata, a sociedade brasileira ainda não tem a percepção da importância da ciência e tecnologia e isso prejudica sua atuação e sua defesa no país.

 

Por meio de dados, Prata mostrou que o setor público tem um bom investimento em pesquisa e desenvolvimento, ao contrário do setor privado, que ainda precisa aumentar muito. “Nem sempre as empresas se apoiam na inovação para crescer. Elas acabam preferindo outros caminhos. Além do estímulo para que elas invistam mais em pesquisa e desenvolvimento, precisamos incentivar também o empreendedorismo de base tecnológica e a cooperação entre academia e setor industrial. Sabemos gerar conhecimento, mas não sabemos gerar riquezas.”

 

A constatação do baixo investimento feito pelo setor privado foi o que impulsionou a criação, no final de 2013, da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), segundo seu diretor-presidente, Jorge Almeida Guimarães. Trazendo dados da instituição, Guimarães falou sobre as unidades credenciadas, que são fortes em pesquisa científica e fazem boa interface com a pós-graduação. A área da saúde representa 9,2% dos projetos da Embrapii.

 

Além das pessoas e do capital financeiro, a inovação também precisa de um ambiente que propicie seu desenvolvimento. De acordo com Jorge Audy, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), o conceito de parques tecnológicos, que possuem uma área determinada e fechada, está evoluindo para o conceito de ecossistemas de inovação, que transbordam esses parques fechados para regiões, cidades ou vales. “São ambientes para trabalhar e viver”, em suas palavras. Entre os fatores de sucesso desse novo modelo, Audy aponta: gente com talento, gente com novas ideias e gente com capital.

 

 

E-PÔSTERES

Uma das novidades da Semana Científica do HCPA desse ano são os e-pôsteres.  Com o novo formato, os participantes podem acessar facilmente os conteúdos dos trabalhos científicos, a partir de um totem virtual. Para os participantes do evento, a mudança foi positiva em relação a edição passada. Confira os vídeos do evento:

 

Cenário atual da pesquisa no Brasil

Rever prioridades no atual momento de crise e apostar na internacionalização da pesquisa: essas serão as principais frentes de atuação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), de acordo com o presidente da agência, Abilio Baeta Neves, que palestrou hoje (11/9) na 37ª Semana Científica do HCPA. Segundo o dirigente, o cenário futuro será “apertado”, mas o Brasil já passou por momentos mais dramáticos. “Entre 2007 e 2015, os investimentos foram enormes. A partir de 2015 é que passamos a viver um momento mais difícil, o que foi sendo contornado nos anos seguintes. Ainda assim, existe essa sensação de queda nos investimentos, porque temos a tendência de comparar com os anos anteriores.”

 

Conforme Neves, o apoio à pós-graduação será prioridade da Capes, que deixará o Ensino Básico mais a cargo do Ministério da Educação. “A crise nos obriga a tomar atitudes no sentido de olhar e definir prioridades. O Brasil cresceu muito nos últimos tempos na produção de conhecimento, mas precisamos alinhar melhor a qualidade com o volume, porque o país não avança nos índices de inovação e complexidade.”

 

Trazendo dados sobre internacionalização da pesquisa, o presidente da Capes afirmou que essa será outra frente da agência. “O mercado é global, mas o Brasil ainda é muito ‘paroquial’. A maioria de nossos pesquisadores e docentes não tem vivência internacional e atua muito próximo dos locais onde se formou. Por outro lado, em alguns países, a metade dos docentes é estrangeira. Precisamos dar um passo no maior protagonismo brasileiro em pesquisa de ponta.”

 

 

Troféu Jorge Pinto Ribeiro

 

Com o objetivo de homenagear personalidades que contribuem com a produção de conhecimento para a saúde, o Troféu Jorge Pinto Ribeiro – que recebe o nome do importante cardiologista falecido em 2012 – foi entregue hoje (11/9), durante a abertura da 37ª Semana Científica, para o professor da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Moacyr Krieger. O reconhecimento foi entregue pela presidente do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, professora Nadine Clausell, que recordou a trajetória de sucesso do médico, pesquisador e professor. “Krieger ajudou a desenvolver a pós-graduação brasileira e formou muitos colegas que hoje são referência em suas áreas.”

 

A presidente também lembrou a perda recente dos professores e pesquisadores Jorge Luiz Gross e Mirela Jobim de Azevedo, que faleceram em maio, bem como do professor Jorge Pinto Ribeiro, que faleceu há cinco anos. “Pessoas que deixaram marcas precisam ser lembradas. Eles expressavam a essência do Clínicas em assistência, ensino e pesquisa.”

Com um discurso agradecido e humilde, o professor Eduardo Moacyr Krieger recebeu o troféu também relembrando a trajetória de Jorge Pinto Ribeiro. “Por tudo que ele foi e fez, muito me enaltece receber um reconhecimento com seu nome.” Krieger também reforçou a importância do financiamento para pesquisa, afirmando que não se trata de gasto, mas de investimento. “O estoque de conhecimento está pronto e pode ser visto aqui na Semana Científica, mas nossos governantes precisam entender isso como um investimento para o futuro do país. A educação é um dos instrumentos mais eficazes para o combate à pobreza e capaz de dar mais qualidade de vida à nossa população.” Com essa afirmação e fechando seu discurso, o professor foi aplaudido de pé pelos participantes da Semana.

 

 

Começa a 37ª Semana

Científica do HCPA

 

Completando 37 edições consecutivas, a Semana Científica do Hospital de

Clínicas de Porto Alegre (HCPA) se consolida, a cada ano, como o evento mais

tradicional da instituição, o que reafirma a missão do HCPA de gerar

conhecimento e formar pessoas de alta qualificação para prestar uma assistência

de excelência. E esse compromisso foi, mais uma vez, assumido hoje (11/9),

durante a abertura do evento. “Muito do sucesso da Semana é mérito de nossa

comunidade e da relevância que a pesquisa conquistou no hospital. Neste cenário

desafiador que enfrentamos, queremos buscar soluções criativas e estimular

novos pesquisadores”, disse a coordenadora do Grupo de Pesquisa e Pós-graduação

(GPPG) do Clínicas e coordenadora geral da 37ª Semana Científica, professora Patricia

Ashton-Prolla.

 

Nesta edição, foram selecionados 1.075 trabalhos no formato de e-pôster e 35 trabalhos no formato de apresentação oral. “Para a universidade, a pesquisa na área da saúde é uma das mais importantes, com grande número de pesquisadores e grupos de pesquisa. E a Semana Científica é um retrato de que, mesmo com a crise, conseguimos produzir pesquisa de qualidade. Esse é o momento de mostrarmos nossa força, de mostrarmos que somos um investimento para o país”, afirmou o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professor Rui Vicente Oppermann.

 

Fizeram parte da mesa de abertura – além de Patricia Ashton-Prolla e Rui Vicente Oppermann -, a presidente do Clínicas, Nadine de Oliveira Clausell; a diretora da Faculdade de Medicina da Ufrgs, Lucia Maria Kliemann; e a diretora em exercício da Escola de Enfermagem da Ufrgs, Agnes Olsshowsky.

 

 

 

 

 

PROMOÇÃO

ORGANIZAÇÃO

COORDENADORIA

DE COMUNICAÇÃO