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 O Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (Iats) é um dos seis Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) sediados no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). O Iats usa um conjunto de métodos de pesquisa para verificar se uma determinada tecnologia de saúde é segura, eficaz e economicamente atrativa em comparação a outras alternativas de tratamento. Nesta linha, dois trabalhos do instituto receberam destaque nos últimos meses: uma tese de doutorado desenvolvida com pessoas que sofrem de insuficiência cardíaca (IC) crônica e um estudo que estimou o custo do diabetes para o sistema de saúde do Brasil.

No primeiro trabalho, 300 pacientes foram acompanhados durante três anos. Metade deles foi monitorada em visita domiciliar por enfermeiras e a outra parte não, conforme a pesquisadora Karen Brasil Ruschel. Os que receberam informações e tiveram mais conhecimento sobre a doença reduziram a ocupação de vagas nos hospitais. “Queríamos saber qual era a vantagem da prevenção neste caso, pois são pessoas que não podem comer sal e beber líquido demais, por exemplo. Descobrimos que, com as orientações fornecidas aos pacientes e o autocuidado, a necessidade de internação diminui em 57%. Vale a pena investir na prevenção, porque melhora a qualidade de vida do doente e os gastos do sistema de saúde caem na mesma proporção. É um modelo que pode ser aplicado no mundo, só depende do gestor”, relata Karen, cujo artigo foi publicado na revista Value in Health.

O impacto do diabetes no orçamento da saúde também é significativo. Os grupos liderados pelos professores Luciana Bahia, Denizar Araújo e Cristiana Toscano analisaram os gastos com a doença. De acordo com os resultados, os custos diretos somaram R$ 12 bilhões em despesas médicas ambulatoriais e hospitalares, além de R$ 6,4 bilhões em itens não-médicos, os quais envolvem a compra de alimentos dietéticos e transporte para pacientes e suas famílias. A estes componentes foram agregados os custos indiretos, calculados em R$ 11,4 bilhões, relacionados à perda de produtividade, incapacidade para o trabalho e aposentadoria precoce. A conta, desta forma, atinge R$ 29,9 bilhões anuais e indica a necessidade de fortalecimento das políticas públicas para prevenção das doenças crônicas não-transmissíveis.

Artigo Cost-effectiveness of a home visit program for patients with heart failure in Brazil: evidence from a randomized clinical trial, de Karen Brasil Ruschel; Luis Eduardo Rohde e Carisi Polanczyk, publicado na revista Value in Health, em março de 2018.

Artigo Custos econômicos do diabetes no sistema público de saúde do Brasil, de Luciana Bahia, Denizar V. Araújo (Iats/Uerj) e Cristiana Toscano (Iats/UFG), submetido à revista Diabetes Care e apresentado no Congresso da Federação Internacional de Diabetes, em dezembro de 2017.

* Para o mês de junho, o critério de escolha foi: destaque dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia sediados no HCPA.

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