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No dia 11 de agosto, a equipe do Banco de Tecidos Oculares (BTOC) do HCPA recebeu uma ligação da Emergência, pois havia um potencial doador de córneas. “Chegando lá, encontramos a viúva e um dos filhos do paciente de 72 anos. Estavam muito abalados. Realizamos o acolhimento e, após, abordamos a doação de órgãos”, relata o técnico do BTOC Felipe Silva Guareze.

Acostumados a encontrar resistência em muitas famílias na doação, desta vez a consciência falou mais alto e a resposta veio positiva. “Após a explicação de como funciona o processo, recebemos a resposta da viúva que, até aquele momento, escutava tudo com muita atenção”, lembra Felipe.

Emocionada, ela respondeu o seguinte: “rapaz, minha mãe transplantou córneas no Clínicas há 12 anos, quando tinha 80 anos de idade. Agora, ela tem 92 anos e faz crochê todos os dias. Então, claro que sim! Quero dar à outra família a felicidade que vocês nos proporcionaram”. Felipe recorda que a viúva ainda completou: “tenho certeza que meu marido vai ficar feliz onde ele estiver”.

“Encerramos os trâmites legais com a família e saímos motivados para realizar a cirurgia de retirada dos tecidos oculares, com a certeza de que a doação de órgãos é um gesto de amor ao próximo”, finaliza Felipe.

A professora do Serviço de Oftalmologia e coordenadora do BTOC, Diane Ruschel Marinho, destaca que ficou duplamente emocionada. “Primeiro, por que não estamos acostumamos a receber resposta positiva tão facilmente. Infelizmente, a taxa de aceitação é só em torno de 30%. E depois, conseguimos ajudar duas pessoas voltarem a enxergar. O gesto foi lindo!”

vida que segue consciencia que salva vidas